Cada vez mais somos convidados a participar de diversos processos políticos que definem rumos e ações a serem tomados em nossa sociedade. Paralelo a este fenômeno, estamos inseridos em uma sociedade em que a maior parte dos cidadãos não foi criado com uma cultura participativa e não está acostumada a ser ouvida e influenciar nas decisões. Isso deve explicar grande parte da descrença geral que existe quanto a importância de tomar parte dos processos políticos. Por processo político, estou falando de qualquer processo de decisão coletiva, seja uma reunião de condomínio, uma audiência pública, uma reunião de entidade de classe ou uma sessão do Congresso Nacional.
O detalhe é que o desprezo pela participação política não elimina a política! Segundo Aristóteles, “o homem é um animal político”. Ou seja, a não participação nas decisões das diversas instâncias (governamentais ou não) não impede que decisões sejam tomadas nestas mesmas instâncias. A única diferença é que quanto menos se participa destas instâncias, menor o grupo de pessoas que toma as decisões. Resultado evidente: maior a concentração de poder e, possivelmente, maior a insatisfação geral com as decisões políticas!
A boa notícia é que a consolidação de um Estado Democrático no Brasil nos traz oportunidades cada vez maiores de participação nas decisões políticas. Aliado a isso, o desenvolvimento tecnológico dos meios de comunicação tem criado múltiplos canais de participação, democratizando o acesso a informação e tornando a participação política mais flexível e menos burocrática.
Entrando na área do saneamento ambiental, hoje podemos ver claramente o resultado do envolvimento de nossa classe nos rumos do setor de saneamento no Brasil. Os engenheiros formados nos últimos anos (entre os quais eu me incluo) estão colhendo os frutos plantados pelas gerações de engenheiros anteriores, que ao longo das últimas décadas lutaram em todas as frentes para criar as bases políticas necessárias para consolidar o saneamento básico como indispensável ao desenvolvimento e bem-estar da população brasileira. Foram décadas formando recursos humanos, desenvolvendo tecnologia, atuando perante a opinião pública e na articulação política para elevar o saneamento básico ao status de Política Nacional, culminando com a aprovação das leis 11.445 em 2007 e 12.305 em 2010.
Graças a toda esta dedicação, hoje temos condições políticas, técnicas, econômicas e sociais muito mais favoráveis para a busca da universalização do saneamento do que nossos precursores. Cabe a nós honrar esta herança e assumir os desafios que nos são postos, participando ativamente na adequada regulamentação e aperfeiçoamento destas políticas e nas atividades profissionais que literalmente estão construindo a universalização do saneamento básico no Brasil.
Lúcio Costa Proença
Engenheiro Sanitarista e Ambiental
CREA-SC 106269-8